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Não.  As crianças destas novas gerações não possuem um chip na cabeça.

Não nasceram sabendo usar o celular.  Eu sei que voce ja ouviu ou disse algo semelhante para expressar o modo como as crianças se relacionam com dispositivos tecnológicos.

Esta perspectiva da qual deduz-se que as crianças são dotadas de uma habilidade especial para o uso de novas tecnologias está impregnada no senso comum, mas cumpre um papel danoso se mantido pela escola.  Isto porque distancia os docentes dos alunos devido à assimetria que é criada entre quem não é dotado de tal habilidade inata e aqueles que já nasceram prodígios.

Devido a isto é comum observarem-se práticas didáticas em que a professor deixa de lado etapas importantes do trabalho docente, como apresentar os documentos e fichas a serem preenchidas pelos alunos, campo por campo, organizar as etapas de trabalho a serem cumpridas para finalmente concluirem as tarefas.

Pra que?  Já que os alunos usam uma ferramenta de apresentações melhor que os docentes eles vão aprender sozinhos a elaborar uma apresentação para o seminário.  Este é o tipo de pensamento que é decorrente da criação de mitos em torno das novas tecnologias, ou feitiços, como diriam outros.

Um feitiço que impossibilita certos aspectos da realidade se revelarem, criando um manto de encantamento sobre todos os enfeitiçados.

Novas gerações continuam sendo crianças e devem ser ensinadas

O que muda com o emprego de novas tecnologias na educação é que o aluno deixa de ser mero receptor de informações, para posteriormente reproduzi-las em formato de respostas de provas, e passa a assumir o protagonismo de seu processo de aprendizagem recombinando fontes distintas de informações.  O emprego de novas tecnologias necessita de um outro olhar sobre a educação, que coloca os alunos como autores.

A função do professor como orientador de projetos dos alunos deve tomar a maior parte do tempo das aulas e a análise crítica das fontes que são utilizadas torna-se a oportunidade do docente aprofundar o debate sobre o conhecimento científico.

Nesta perspectiva o trabalho do professor está muito mais voltado a organizar as informações, orientar sobre a continuidade e mediar quanto a utilização de fontes do que ser a mera fonte da informação, juntamente com o material didático, dos alunos.

O fetichismo tecnológico, ao mesmo tempo em que enaltece mitos, esconde perspectivas que, sabe-se inconscientemente, são difíceis de enfrentar.  As práticas didáticas devem ser o foco da mudança para a perspectiva de uso de novas tecnologias e não os novos dispositivos e softwares que são lançados frequentemente no mercado.